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A partir de determinado ponto, D. não pôde mais dormir. Sentia, claramente, que algum mecanismo dentro dele havia se partido e que isto agora impedia o funcionamento correto do todo.
Deitou-se, horas a fio revirando na cama, mas não conseguiu conciliar o sono. Arrastou-se para fora dessa concha insone, uma alma penada singrando em penumbra, passos ocos sarapintando o silêncio, bebeu leite, leu trechos de um livro, contou carneiros (incontáveis carneiros). Em geral, parecia-lhe que as pessoas deitavam em suas camas vislumbrando o que lhes reservava o dia seguinte e, de posse desses prospectos, ou o aguardassem ou o temessem; muitas vezes até se deixavam a remoer em farelos o dia recém-processado, mas, inevitavelmente, caíam no sono. Para D., entretanto, havia algo faltando: como se ainda lhe restasse realizar algo e, desse modo, não pudesse ainda adormecer, evitando o penoso exercício de despertar. Afinal, como seria possível dormir, se faltava algo, e se a seguir não viria nada? Pois foi esta a gênese de sua insônia.
Na primeira noite em que este distúrbio se deflagrou, conferindo à mente um estado febril de vigília, uma impenetrável concentração no mundo e em suas arestas metafísicas e ruídos homéricos, seus pensamentos fervilharam sem parar durante as primeiras horas; pensou em tudo que poderia estar faltando, e em como encontraria algo que ainda não sabia do que se tratava. Digamos um cachorro, que não enxerga as cores senão dentro do espectro do cinza, e cujo dono subitamente lhe diz: "vamos, me aponte um objeto amarelo". E agora, o que fará? Sim, era nesta exata situação que ele se encontrava.
Depois, entretanto, esses mesmos pensamentos deixaram de fervilhar e passaram, enfim, a fermentar. Não mais pensava no que lhe podia faltar como algo tangível; o que lhe faltava simplesmente não podia coexistir com a realidade – tratava-se de um ator condenado a interpretar a personagem errada, muito provavelmente na peça errada. Suas ideias, de posse dessa lógica sinistra, maquinando silogismos cada vez mais tortos, tornaram-se doentias, tétricas. Imaginou que o que lhe faltava jamais pudesse ser suprido; deram-lhe barbatanas quando na verdade ele desejava asas, deram-lhe uma vida quando na verdade ele apenas estaria satisfeito sendo pó, revolvido pelo vento. Perfilaram-se horrores em sua mente, palhaços maquiados de dúvidas, num ardor indagativo: devia morrer? Matar? Torturar? Não, nada disso; ele fora dotado de uma natureza pacata, e não conseguiria ferir ninguém – mesmo se tentasse; ademais, era covarde para desertar da própria vida, a ponto de submeter-se a uma constante privação de sono, mas sem por sequer um segundo cogitar a privação da existência.
Após essa primeira noite em claro, foi trabalhar normalmente no dia seguinte. Para seu espanto, ninguém reparou nada. Era apenas um espectro, uma ideia movendo-se entre outras ideias, camuflado, num mimetismo que ludibriava a própria realidade, um camaleão tão reles que sequer despertava o interesse dos predadores. D. era uma sombra entrecruzando-se com uma centena de outras sombras, e assim, tudo que se via era parte de um mesmo breu, sem distinção ou relevância entre as que o formavam (talvez todos se sentissem camaleões esquecidos). Foi assim que percebeu que uma sombra não era, no final das contas, diferente da outra.
Mas isso lhe trouxe problemas, pois estava inclinado a ideias doentias e ruminações – talvez um sintoma inicial daquela vida sem repouso. Conjeturou um cenário fantástico na câmara escura do crânio: lera certa feita um conto de Hans Christian Andersen sobre um homem que perdia a sua sombra. Desconfiado – talvez fosse por isso que não dormisse – observou atenta e diligentemente durante o caminho de casa o perfil longilíneo e deformado daquele tentáculo desbotado, seguindo-o como um fanático, marchando contra seus passos; a cada esquina dobrada, prestava atenção se a mancha ainda estava ali, obediente, ou se ameaçava bater em disparada (sim, pois uma traição devia ser esperada a qualquer momento, pois a nossa sombra não é, não pode ser, uma sombra confiável). Era isso: alguns metros que ela obtivesse de vantagem e provavelmente jamais tornaria a vê-la. Mas, não, ele tinha uma sombra, ela o seguiu até em casa e então não era isso que estava acontecendo.
Mas e se ao apagar a luz ela saísse às escondidas, na calada da noite, e, amputada sua extensão taciturna, D. não pudesse dormir porque estava incompleto? Experimentou dormir com a luz acesa e manteve o olho grudado em sua dócil assecla, esperando a qualquer momento a insurreição. Depois, tentou dormir em pé. Nada funcionava. A sombra estava impreterivelmente inocentada.
No segundo dia, tudo transcorreu normalmente, e ainda ninguém percebeu coisa alguma. Ao chegar em casa, num impulso, decidiu tomar uma porção de pílulas soníferas, esquecidas por uma ex-namorada, numa quantidade suficiente para matar um homem, ou talvez até mesmo dois ou três – e nada aconteceu. Nada, nem um bocejo. Sentado, com os frascos vazios atirados em derredor, os músculos em tímidas contrações e os olhos esgazeados, concluiu que para sair de sua horrenda situação deveria planejar o próximo passo com mais clareza, talvez esmiuçar a questão através de outro ponto de vista para entender o que estava lhe escapando e só então decidir o que fazer a seguir.
Claro, a primeira coisa que pensou foi que já estivesse morto. Quantas vezes não lera histórias ou vira filmes nos quais a protagonista ou uma personagem secundária estavam mortas e não se davam conta disso? Não era como se alguém pudesse avisar, gentilmente, dando tapinhas no seu ombro: "Bem, sabe aquela vez que você quase escapou de um acidente? Pois na verdade você não escapou". E sorrisse, complacente, como quem avisa ao vizinho que lhe entregaram a correspondência no endereço errado.
No dia seguinte, para certificar-se de que não era um pedaço de espírito zanzando longe de seu cadáver, interpelou todos os transeuntes que viessem em sua direção, perguntando-lhes as horas, e conversou animadamente com todos os conhecidos no trabalho e na rua. Alguns, a princípio, estranharam demasiado seu comportamento expansivo, mas, ou fizeram vista grossa, ou até calharam de achá-lo mais simpático. Depois, ao terminar o expediente, entrou em lojas, perguntou preço de coisas que não compraria, chegou a comprar artigos pelos quais não nutria o menor interesse e que ainda por cima não lhe tinham a menor utilidade (um cachorro de pelúcia amarelo, dois cartões postais e um travesseiro, por exemplo), e parou táxis somente para ir a lugares que não conhecia e então retornar. Ao fim e ao cabo, parecia que ele realmente seguia a existir, e que toda a gente o notava.
Voltando para casa, estirou-se na ampla poltrona da sala, estalou a espinha com um espreguiço, soltou o laço dos sapatos e deixou os pés respirarem, sitiado por livros esparramados, e daí pôs-se a pensar, como um animal que se coloca a vigiar o ninho. Toda uma vida de pequenos desesperos agudos, um tanto superficiais (o que faltou comprar no mercado, por que não foi tão bem naquele exame, por que tratara tão mal aquela mulher) poderia acaso ter se convertido em um vazio crônico, e conservado ele em uma total ignorância do que se passava dentro ou fora dele? Pois o que, afinal, estava faltando?
Bem, talvez pudesse ser um amor. Quantas vezes não ouvira que fulano esperara a vida inteira por um grande amor, que enfim encontrara a alma gêmea, e que agora tinha alguém com quem dividir tudo – do leito às preocupações? Talvez, talvez se pudesse encontrar isso, viesse a desfalecer, cair desacordado para, enfim, acordar novamente. Será que a medula desse vazio resumia-se ao cadáver animado de outro vazio, de outra pessoa?
Mas D. procurou por dias a fio, tanto no dédalo da cidade quanto no da memória, revirando as reminiscências e iniciando conversações infrutíferas, a perscrutar atentamente todas as mulheres que conhecera e que conhecia, sem, no entanto, descobrir que sentisse ou jamais houvesse sentido algo significativo por sequer uma delas. Onde quer que observasse, não encontrava ardor suficiente para concluir que realmente desejasse alguém. Sim, era como se seu coração não batesse: se deitasse na cama e pensasse em dormir, até o sentia pulsar vigorosamente, como se o alertasse ou prevenisse de alguma coisa; mas, se olhasse para uma mulher, por mais bela ou atraente que ela fosse, ou ouvisse a voz de alguma delas, entabulasse qualquer diálogo sobre qualquer tópico, o coração silenciava, revestia-se do silêncio duro e impenetrável de um jazigo à luz hibernal. Nada se movia dentro dele, nada. Talvez nem mesmo uma alma ali rastejasse.
Com isso, D. voltou para casa mais cansado e cada vez mais incapaz de dormir. Passou as noites seguintes espiando pela janela, o céu lúrido, o luar enferrujado, leu livros, assistiu a filmes, amaldiçoou vizinhos e estudou tomos antigos de livros empoeirados; cozinhou pratos mirabolantes, jogou-os no lixo, depois levou o lixo para a boca malcheirosa da rua, e repetiu o processo incontáveis vezes. Para preencher o tempo, começou a anotar pensamentos aleatórios, palavras atravessadas, abraçou toda e qualquer ideia que aterrissasse na pista escura da noite, rabiscava em qualquer papel que encontrasse, e quando se deu por conta estava mesmo escrevendo nas paredes e na própria pele, uma constelação esquizofrênica de remendos traumáticos e ideias escatológicas, de despertar a curiosidade de qualquer psicanalista que calhasse de estar desocupado. No princípio, achou tudo aquilo genial, mas, a partir de certo ponto, nada mais do que escrevia fazia sentido. Chegava a repetir tanto uma palavra que ela se convertia em um punhado de símbolos desprovidos de significado, uma carne sem nervos, ao que passou a achar tudo aquilo estupidamente imbecil; aquelas palavras eram como fantoches que o seu tédio balançava de lá para cá e de cá para lá sem ter, no entanto, um roteiro que representassem. Lavou-se por horas no banheiro, removendo a tinta de sua pele com uma esponja. No dia seguinte, cobriu as paredes com a tinta mais barata que encontrou.
Depois, passou a tocar o seu corpo para ter certeza de que ele não havia se desfeito, que ele não era na verdade o produto de um sonho, uma matéria impalpável que vagava pela inconsciência de outro eu que adormecera; palpou tanto o abdome e beliscou tanto a pele tentando acordar o outro, que ficou com dores horríveis e com hematomas variegados por toda a casca do corpo; havia os recentes, ainda de tonalidade púrpura, e depois os esverdeados e os amarelados, o que, achou graça, daria no mesmo para um cachorro. Mexia tanto no cabelo que muitos fios caíram, e tantas vezes se imaginou despencando de uma grande altura para acordar de sobressalto que por pouco não se atirou da janela de seu apartamento, em transe.
Ao fim de poucas semanas, tinha na conta já mais alguns anos. Os dias no seu emprego iam e vinham como a frequência de estações mal sintonizadas em um automóvel antigo, e ele sentia-se uma espécie patética de Robinson Crusoé em relação ao mundo que o cercava. Há quantas centenas de horas seguidas já estava ilhado ali, perplexo e desesperado? Passou a falar sozinho, isto é, fazia-se perguntas e tratava de imediatamente respondê-las, e não raras vezes engajou-se num embate acalorado consigo mesmo que terminava em risos histéricos e muitas vezes em um silêncio visceral, a ecoar no bojo desta contemplação doentia da própria insanidade. Pois, sim, suas duas partes, a que perguntava e a que respondia, concordavam irrefutavelmente com este ponto: estava à beira da loucura, e do modo como tudo se encaminhava, não ia nada bem.
Será que havia sido envenenado com alguma substância, cogitou a certa altura. Ou que algo no mecanismo do cérebro houvesse quebrado, que contraíra ou desabrochara alguma patologia bizarra, desconhecida pela medicina, e que nesse caso talvez ninguém pudesse ajudá-lo. Será que não era chegada a hora de procurar um médico?
Consultou-se então com um psiquiatra, um neurologista, e chegou mesmo a ir a um cirurgião. O primeiro garantiu-lhe de que se tratava de um distúrbio raro, no qual ele dormia, mas seu cérebro interpretava isso erroneamente e lhe dava a sensação de estar acordado, e que suas obsessões e compulsões provavelmente tinham origem em algum trauma recente, ou então alguma lembrança da infância que tentava atravessar a membrana da consciência vinda do subsolo da inconsciência, do mesmo modo que as formigas cavam galerias na terra seca ou uma larva rompe a membrana translúcida de seu ovo; o neurologista quis dar-lhe antiepilépticos, tinha certeza – frisou esta palavra – de que o psiquiatra estava equivocado e que na verdade tratava-se de um caso raríssimo e grave de epilepsia temporal, e que se o permitisse, poderia estudar o caso de D. e publicá-lo, dada sua raridade (jurou-lhe que despertaria a atenção de toda a comunidade científica, inclusive); o cirurgião, por sua vez, quis operá-lo, testar uma técnica nova dedicada a casos graves de insônia, uma pequena incisão aqui, bem nessa estrutura, e apontou para um ponto nebuloso do emaranhado de massa cerebral exposto em um cartaz na parede, o circo de giros e circunvoluções, com a marca de um laboratório no canto inferior, cujo título era "Anatomia do Cérebro Humano", e fez um talho imaginário com a unha impecavelmente cortada rente à pele, e sorriu, como se não se importasse com D., mas apenas com aquele corte. D. saiu dos três consultórios decidido a nunca mais voltar; a única coisa que concluiu foi que nenhum deles o compreendera e, portanto, nenhum deles seria capaz de ajudá-lo.
Na mesma tarde, caminhando a esmo pelas veias concretadas da cidade, questionou-se: o que havia de errado em não poder mais dormir? Desperdiçamos, afinal, um terço de nossas vidas em stand-by, um aparelho de última geração que se desliga automaticamente para no dia seguinte repetir seu calvário até que o modelo estrague e seja substituído por um mais moderno. E muitos de nós seguimos funcionando mesmo quando já somos obsoletos e peças de reposição estão longe de ser uma opção. Então, não era uma vantagem não dormir?
Bem, até é possível que pensasse assim – até chegar em casa, quando então sentia-se compactado entre quatro paredes e vislumbrava um monstro gigante esgueirando-se lá fora, aquele mundo, aquele claustro, uma lesma de milhões de corpos deixando um rastro pegajoso de informação, confinado no apartamento, um pequeno útero no qual ele era gestado todas as noites e para o qual era necessário retornar para sobreviver; e então conversava com sua sombra e olhava os retratos e talvez até mesmo por um instante estivesse com as pessoas dos retratos, mas então ligaria a televisão e veria a ciranda do mundo sempre girando, um carrossel como esses de parques de diversões, sempre tocando a mesma música, os cavalos e as carruagens indo e voltando, indo e voltando, parecem cavalos novos e carruagens novas mas são apenas os mesmos que deram uma volta, e em cima deles sempre pessoas genéricas, alternando-se, comprando seus bilhetes; e então entrava embaixo do chuveiro e sentava com a cabeça apoiada nos joelhos, lembrando-se talvez do tempo remoto em que era coberto de líquido amniótico e não daquele mundo viscoso de silêncio e algazarra, e que não conhecia nem lusco-fusco nem orgasmos, e que não se importava nem com a política nem com o almoço; então, então a certeza de que dormir era desnecessário se destruía, porque tudo que ele gostaria era dormir e se abster daquela loucura pelo maior período de tempo possível.
Pensou em suicídio, mas o suicídio já não era uma opção. No fundo, ele não podia morrer, tinha a nítida impressão de que não. Talvez lhe houvessem soldado um chip na cabeça, ou houvesse ingerido veneno, ou estivesse aprisionado em um pesadelo, ou então sua vida nunca tivesse sido real, ou então, ou então, era tudo apenas real e o que lhe tirava o sono era a consciência dolorosa de estar acordado; sim, quando alguém tem dores lancinantes, não consegue dormir, e a alma dele, nesse momento, experimentava uma dor excruciante, uma dor pior que todas as outras dores, não palpável, para a qual não havia um analgésico sequer, era uma dor sem solução alguma que não o tempo e, mesmo com o tempo, talvez nunca amainasse.
Passaram-se um, dois, três meses. Já não conseguia pensar com clareza. As pessoas dirigiam-lhe a palavra, mas era como se não falassem absolutamente nada; via-se cercado de manequins como em um pesadelo, sentia-se um pedaço de carne exposto em um açougue e ouvia os clientes discutirem seu preço e sua consistência, e estava certo de que em breve alguém viria e o levaria para casa embalado na estupidez e no oco das horas, e então qualquer coisa poderia ser feita dele. Talvez assim, enfim, descansasse.
Pela primeira vez em muito tempo, viu-se chorando. Mas foi nesse momento, neste exato momento, que algo fantástico lhe aconteceu: uma iluminação, uma catarse, qualquer coisa do gênero, dessas que acontecem oportunamente no final de um filme ou de um conto literário, e que raramente costumam ocorrer na vida.
Pois, pareceu-lhe, enfim, que não havia nada errado.
Sim, era isso! Esse era o problema: não haver nada de errado consigo e com o mundo à sua volta. O estranhamento do estranhamento, a despersonificação, a dúvida, tudo isso estava em falta; como ele podia aceitar tudo com naturalidade, engolir as refeições que engolia, deitar-se com as mulheres com que se deitava e fazer os serviços que lhe ordenavam? Esteve o tempo todo procurando o que lhe faltava e, subitamente, descobriu que o que lhe faltava era justamente faltarem as coisas. Com os olhos mareados, bocejou demoradamente.
Sim, então parece que olhou para trás e não viu a sua sombra, provavelmente porque ele não era homem, mas sim uma sombra fugindo de seu dono, e também percebeu que amava todas as mulheres que conhecia e ainda as detestava todas, que os médicos tinham razão, havia muito de errado com ele e ele precisava tratar tudo sem exceção para salvaguardar a razão, que a cor amarela era o que ele quisesse que ela fosse, que era preciso matar-se e que era preciso viver, que não adianta tocarmo-nos porque tudo é um sonho e tudo é realidade, e que todos vão romper a casca translúcida da realidade e rastejar para a sociedade e vão ver as memórias definharem como um animal em cativeiro, o cativeiro dos dias que se sucedem, das noites que se repetem, das palavras que se mastigam com fome e avidez, mas que nunca são apetitosas ao paladar ou volumosas o bastante para saciar a alma.
Quando as primeiras hastes de luz do dia se ergueram contra o teatro lilás do crepúsculo, D. já havia adormecido.
From a certain point on, D. could no longer sleep. He felt, clearly, that some mechanism inside him had broken and that this now prevented the whole from functioning correctly.
He lay down, tossing in bed for hours on end, but couldn't fall asleep. He dragged himself out of that sleepless shell, a lost soul sailing through the shadows, hollow footsteps spattering the silence, drank milk, read passages from a book, counted sheep (countless sheep). In general, it seemed to him that people lay in their beds envisioning what the next day had in store and, in possession of these prospects, either awaited it or dreaded it; often they even let themselves chew the just-processed day into crumbs, but, inevitably, they fell asleep. For D., however, something was missing: as if something still remained for him to accomplish and, therefore, he couldn't yet fall asleep, avoiding the painful exercise of waking. After all, how could one sleep if something was missing, and if nothing would come after? For this was the genesis of his insomnia.
On the first night this disturbance broke out, conferring upon the mind a feverish state of wakefulness, an impenetrable concentration on the world and its metaphysical edges and Homeric noises, his thoughts seethed without pause during the first hours; he thought about everything that might be missing, and about how he would find something he didn't yet know the nature of. Say, a dog, which sees colors only within the spectrum of gray, and whose owner suddenly tells it: "come on, point out a yellow object to me." And now, what will it do? Yes, this was the exact situation in which he found himself.
Later, however, those same thoughts stopped seething and began, finally, to ferment. He no longer thought of what he might be lacking as something tangible; what he lacked simply could not coexist with reality—he was an actor condemned to play the wrong character, most probably in the wrong play. His ideas, in possession of this sinister logic, machinating increasingly crooked syllogisms, became morbid, grim. He imagined that what he lacked could never be supplied; they had given him fins when in truth he wanted wings, they had given him a life when in truth he would only be satisfied being dust, churned by the wind. Horrors lined up in his mind, clowns made up with doubts, in an inquisitive fervor: should he die? Kill? Torture? No, none of that; he had been endowed with a peaceful nature, and couldn't hurt anyone—even if he tried; moreover, he was too cowardly to desert his own life, to the point of subjecting himself to constant sleep deprivation, but without for even a second considering the deprivation of existence.
After that first sleepless night, he went to work normally the next day. To his astonishment, no one noticed anything. He was merely a specter, an idea moving among other ideas, camouflaged, in a mimicry that deceived reality itself, a chameleon so lowly it didn't even arouse the interest of predators. D. was a shadow crossing paths with a hundred other shadows, and thus, all that could be seen was part of one same darkness, without distinction or relevance among those that formed it (perhaps everyone felt like forgotten chameleons). This is how he realized that one shadow was not, in the end, different from another.
But this brought him problems, for he was inclined toward morbid ideas and ruminations—perhaps an early symptom of that life without rest. He conjectured a fantastic scenario in the dark chamber of his skull: he had once read a tale by Hans Christian Andersen about a man who lost his shadow. Suspicious—perhaps this was why he couldn't sleep—he observed attentively and diligently on his way home the elongated and deformed profile of that faded tentacle, following it like a fanatic, marching against its steps; at every corner turned, he paid attention to whether the stain was still there, obedient, or whether it threatened to bolt (yes, for a betrayal should be expected at any moment, for our shadow is not, cannot be, a trustworthy shadow). That was it: a few meters of advantage it might gain and he would probably never see it again. But no, he had a shadow, it followed him all the way home, and so that wasn't what was happening.
But what if, when he turned off the light, it slipped away in secret, in the dead of night, and, its taciturn extension amputated, D. couldn't sleep because he was incomplete? He tried sleeping with the light on and kept his eye glued to his docile minion, expecting the insurrection at any moment. Then he tried sleeping standing up. Nothing worked. The shadow was definitively exonerated.
On the second day, everything went normally, and still no one noticed anything. Upon arriving home, on impulse, he decided to take a dose of sleeping pills, forgotten by an ex-girlfriend, in a quantity sufficient to kill a man, or perhaps even two or three—and nothing happened. Nothing, not even a yawn. Seated, with the empty bottles scattered around, his muscles in timid contractions and his eyes bulging, he concluded that to escape his horrendous situation he should plan the next step more clearly, perhaps examine the question from another point of view to understand what was escaping him and only then decide what to do next.
Of course, the first thing he thought was that he might already be dead. How many times had he read stories or seen films in which the protagonist or a secondary character was dead and didn't realize it? It wasn't as if someone could kindly inform you, patting you on the shoulder: "Well, you know that time you almost escaped an accident? Well, actually you didn't escape." And smile, complacently, like someone telling a neighbor that his mail was delivered to the wrong address.
The next day, to make sure he wasn't a piece of spirit wandering far from his corpse, he accosted every passerby who came his way, asking them the time, and chatted animatedly with all his acquaintances at work and on the street. Some, at first, found his expansive behavior quite strange, but either turned a blind eye or even happened to find him more likable. Later, after finishing work, he entered shops, asked the price of things he wouldn't buy, even bought items in which he had not the slightest interest and which furthermore were of no use to him whatsoever (a yellow stuffed dog, two postcards, and a pillow, for example), and stopped taxis only to go to places he didn't know and then return. In the end, it seemed he really did continue to exist, and everyone noticed him.
Returning home, he stretched out on the large armchair in the living room, cracked his spine with a stretch, loosened his shoelaces and let his feet breathe, besieged by scattered books, and then set about thinking, like an animal settling down to guard its nest. Could an entire life of small, acute, somewhat superficial despairs (what he forgot to buy at the market, why he didn't do so well on that exam, why he had treated that woman so badly) have possibly converted itself into a chronic void, keeping him in total ignorance of what was happening inside or outside him? For what, after all, was missing?
Well, perhaps it could be love. How many times had he heard that so-and-so had waited his whole life for a great love, that he had finally found his soulmate, and now had someone with whom to share everything—from the bed to the worries? Perhaps, perhaps if he could find this, he would faint, fall unconscious, in order to finally wake again. Could the marrow of this void come down to the animated corpse of another void, another person?
But D. searched for days on end, both in the labyrinth of the city and in that of memory, turning over his reminiscences and initiating fruitless conversations, scrutinizing attentively all the women he had known and knew, without, however, discovering that he felt or had ever felt anything significant for even one of them. Wherever he looked, he found no ardor sufficient to conclude that he truly desired anyone. Yes, it was as if his heart didn't beat: if he lay in bed and thought about sleeping, he even felt it pulse vigorously, as if alerting or warning him of something; but if he looked at a woman, however beautiful or attractive she might be, or heard one of their voices, engaged in any dialogue on any topic, his heart fell silent, clothed itself in the hard and impenetrable silence of a tomb in wintry light. Nothing moved inside him, nothing. Perhaps not even a soul crawled there.
With this, D. returned home more exhausted and increasingly unable to sleep. He spent the following nights spying through the window, the lurid sky, the rusted moonlight, read books, watched films, cursed neighbors, and studied ancient tomes of dusty books; he cooked extravagant dishes, threw them in the trash, then took the trash to the foul-smelling mouth of the street, and repeated the process countless times. To fill the time, he began to jot down random thoughts, stray words, embraced any and every idea that landed on the dark runway of night, scribbled on any paper he could find, and when he realized it he was actually writing on the walls and on his own skin, a schizophrenic constellation of traumatic patches and eschatological ideas, enough to arouse the curiosity of any psychoanalyst who happened to be unoccupied. At first, he found it all brilliant, but, from a certain point, nothing he wrote made sense anymore. He repeated a word so often that it converted itself into a handful of symbols devoid of meaning, a nerveless flesh, whereupon he came to find it all stupidly idiotic; those words were like puppets that his boredom swung back and forth and forth and back without, however, having a script for them to perform. He washed himself for hours in the bathroom, removing the ink from his skin with a sponge. The next day, he covered the walls with the cheapest paint he could find.
Later, he began to touch his body to make sure it hadn't dissolved, that he wasn't in fact the product of a dream, an impalpable matter wandering through the unconsciousness of another self that had fallen asleep; he palpated his abdomen and pinched his skin so much trying to wake the other that he was left with horrible pains and mottled bruises all over the shell of his body; there were the recent ones, still purple in tone, and then the greenish and yellowish ones, which, he found amusing, would look the same to a dog. He touched his hair so much that many strands fell out, and so many times did he imagine himself plummeting from a great height to wake with a start that he nearly threw himself from the window of his apartment, in a trance.
After a few weeks, he felt he had already aged several years. The days at his job came and went like the frequency of poorly tuned stations in an old car, and he felt like a pathetic species of Robinson Crusoe in relation to the world around him. How many hundreds of consecutive hours had he been stranded there, perplexed and desperate? He began talking to himself, that is, he asked himself questions and immediately set about answering them, and not infrequently engaged in a heated argument with himself that ended in hysterical laughter and often in a visceral silence, echoing in the bowels of this morbid contemplation of his own insanity. For, yes, his two parts, the one that asked and the one that answered, agreed irrefutably on this point: he was on the verge of madness, and the way things were going, it wasn't going well at all.
Could he have been poisoned with some substance, he wondered at a certain point. Or perhaps something in the mechanism of his brain had broken, he had contracted or developed some bizarre pathology, unknown to medicine, and in that case perhaps no one could help him. Wasn't it time to see a doctor?
He then consulted a psychiatrist, a neurologist, and even went to a surgeon. The first assured him it was a rare disorder, in which he was sleeping, but his brain misinterpreted this and gave him the sensation of being awake, and that his obsessions and compulsions probably originated in some recent trauma, or else some childhood memory trying to cross the membrane of consciousness from the basement of the unconscious, just as ants dig tunnels in dry earth or a larva ruptures the translucent membrane of its egg; the neurologist wanted to give him anti-epileptics, he was certain—he stressed this word—that the psychiatrist was mistaken and that in fact this was an extremely rare and severe case of temporal epilepsy, and that if permitted, he could study D.'s case and publish it, given its rarity (he swore it would attract the attention of the entire scientific community, no less); the surgeon, for his part, wanted to operate, to test a new technique dedicated to severe cases of insomnia, a small incision here, right in this structure, and he pointed to a nebulous spot in the tangle of brain matter displayed on a poster on the wall, the circus of gyri and convolutions, with a laboratory's logo in the lower corner, titled "Anatomy of the Human Brain," and made an imaginary cut with his fingernail, impeccably trimmed close to the skin, and smiled, as if he didn't care about D., only about that cut. D. left all three offices determined never to return; the only thing he concluded was that none of them had understood him and, therefore, none of them would be able to help him.
That same afternoon, wandering aimlessly through the city's concrete veins, he asked himself: what was wrong with not being able to sleep anymore? We waste, after all, a third of our lives on standby, a state-of-the-art device that shuts off automatically to repeat its calvary the next day until the model breaks down and is replaced by a more modern one. And many of us keep functioning even when we're already obsolete and replacement parts are far from an option. So, wasn't it an advantage not to sleep?
Well, he might even have thought so—until he got home, when he felt compacted between four walls and glimpsed a giant monster lurking out there, that world, that cloister, a slug of millions of bodies leaving a sticky trail of information, confined in the apartment, a small womb in which he was gestated every night and to which he needed to return to survive; and then he would talk to his shadow and look at the photographs and perhaps for an instant even be with the people in the photographs, but then he would turn on the television and see the world's ring dance always spinning, a carousel like those in amusement parks, always playing the same music, the horses and carriages going and coming, going and coming, they seem like new horses and new carriages but they're just the same ones that went around once, and on top of them always generic people, taking turns, buying their tickets; and then he would get in the shower and sit with his head on his knees, perhaps remembering the remote time when he was covered in amniotic fluid and not in that viscous world of silence and uproar, and knew neither dusk nor orgasms, and didn't care about politics or lunch; then, then the certainty that sleeping was unnecessary would destroy itself, because all he wanted was to sleep and abstain from that madness for as long as possible.
He thought about suicide, but suicide was no longer an option. Deep down, he couldn't die, he had the distinct impression he couldn't. Perhaps they had soldered a chip into his head, or he had ingested poison, or he was imprisoned in a nightmare, or else his life had never been real, or else, or else, it was all just real and what kept him awake was the painful consciousness of being awake; yes, when someone has excruciating pain, they can't sleep, and his soul, at that moment, was experiencing an excruciating pain, a pain worse than all other pains, not palpable, for which there was no painkiller whatsoever, it was a pain with no solution other than time and, even with time, it might never subside.
One, two, three months passed. He could no longer think clearly. People addressed him, but it was as if they said absolutely nothing; he found himself surrounded by mannequins as in a nightmare, felt like a piece of meat displayed in a butcher shop and heard the customers discussing his price and his consistency, and he was certain that soon someone would come and take him home wrapped in stupidity and the hollowness of the hours, and then anything could be made of him. Perhaps then, at last, he would rest.
For the first time in a long while, he found himself crying. But it was at this moment, at this exact moment, that something fantastic happened to him: an illumination, a catharsis, something of the sort, one of those that conveniently occur at the end of a film or a literary tale, and that rarely happen in life.
For, it seemed to him, at last, that there was nothing wrong.
Yes, that was it! That was the problem: there being nothing wrong with him or with the world around him. The estrangement from estrangement, the depersonalization, the doubt, all of this was lacking; how could he accept everything so naturally, swallow the meals he swallowed, lie with the women he lay with, and do the tasks he was ordered to do? He had spent the whole time looking for what he was missing and, suddenly, discovered that what he was missing was precisely for things to be missing. With his eyes watering, he yawned at length.
Yes, then it seems he looked back and didn't see his shadow, probably because he wasn't a man but rather a shadow fleeing from its owner, and he also realized that he loved all the women he knew and yet hated them all, that the doctors were right, there was much wrong with him and he needed to treat everything without exception to safeguard his sanity, that the color yellow was whatever he wanted it to be, that he needed to kill himself and that he needed to live, that there's no use in touching ourselves because everything is a dream and everything is reality, and that everyone will rupture the translucent shell of reality and crawl into society and will watch their memories wither like an animal in captivity, the captivity of days that follow one another, of nights that repeat, of words that are chewed with hunger and eagerness, but that are never appetizing to the palate or voluminous enough to satisfy the soul.
When the first shafts of daylight rose against the lilac theater of twilight, D. had already fallen asleep.
A partir de determinado punto, D. ya no pudo dormir. Sentía, claramente, que algún mecanismo dentro de él se había roto y que esto ahora impedía el funcionamiento correcto del todo.
Se acostó, dando vueltas en la cama durante horas, pero no logró conciliar el sueño. Se arrastró fuera de esa concha insomne, un alma en pena navegando en penumbra, pasos huecos salpicando el silencio, bebió leche, leyó fragmentos de un libro, contó ovejas (incontables ovejas). En general, le parecía que las personas se acostaban en sus camas vislumbrando lo que les deparaba el día siguiente y, en posesión de esos prospectos, o lo aguardaban o lo temían; muchas veces incluso se dejaban rumiar en migajas el día recién procesado, pero, inevitablemente, caían dormidas. Para D., sin embargo, algo faltaba: como si aún le restara realizar algo y, de ese modo, no pudiera todavía dormirse, evitando el penoso ejercicio de despertar. Al fin y al cabo, ¿cómo sería posible dormir, si faltaba algo, y si después no vendría nada? Pues esta fue la génesis de su insomnio.
En la primera noche en que este trastorno se desató, confiriendo a la mente un estado febril de vigilia, una impenetrable concentración en el mundo y en sus aristas metafísicas y ruidos homéricos, sus pensamientos hirvieron sin parar durante las primeras horas; pensó en todo lo que podría estar faltando, y en cómo encontraría algo que aún no sabía de qué se trataba. Digamos un perro, que no ve los colores sino dentro del espectro del gris, y cuyo dueño de repente le dice: "vamos, señálame un objeto amarillo". Y ahora, ¿qué hará? Sí, era en esta exacta situación en la que él se encontraba.
Después, sin embargo, esos mismos pensamientos dejaron de hervir y pasaron, por fin, a fermentar. Ya no pensaba en lo que podía faltarle como algo tangible; lo que le faltaba simplemente no podía coexistir con la realidad —se trataba de un actor condenado a interpretar el personaje equivocado, muy probablemente en la obra equivocada. Sus ideas, en posesión de esa lógica siniestra, maquinando silogismos cada vez más torcidos, se volvieron enfermizas, tétricas. Imaginó que lo que le faltaba jamás podría ser suplido; le habían dado aletas cuando en verdad él deseaba alas, le habían dado una vida cuando en verdad él solo estaría satisfecho siendo polvo, revuelto por el viento. Se alinearon horrores en su mente, payasos maquillados de dudas, en un ardor indagatorio: ¿debía morir? ¿Matar? ¿Torturar? No, nada de eso; él había sido dotado de una naturaleza pacífica, y no conseguiría herir a nadie —aunque lo intentara; además, era demasiado cobarde para desertar de su propia vida, al punto de someterse a una constante privación del sueño, pero sin considerar por un solo segundo la privación de la existencia.
Tras esa primera noche en vela, fue a trabajar normalmente al día siguiente. Para su asombro, nadie notó nada. Era apenas un espectro, una idea moviéndose entre otras ideas, camuflado, en un mimetismo que engañaba a la propia realidad, un camaleón tan insignificante que ni siquiera despertaba el interés de los depredadores. D. era una sombra entrecruzándose con un centenar de otras sombras, y así, todo lo que se veía era parte de una misma oscuridad, sin distinción ni relevancia entre las que la formaban (tal vez todos se sintieran camaleones olvidados). Fue así como percibió que una sombra no era, al fin y al cabo, diferente de otra.
Pero esto le trajo problemas, pues estaba inclinado a ideas enfermizas y rumiaciones —tal vez un síntoma inicial de aquella vida sin reposo. Conjeturó un escenario fantástico en la cámara oscura del cráneo: había leído una vez un cuento de Hans Christian Andersen sobre un hombre que perdía su sombra. Desconfiado —tal vez fuera por eso que no dormía— observó atenta y diligentemente durante el camino a casa el perfil alargado y deformado de aquel tentáculo descolorido, siguiéndolo como un fanático, marchando contra sus pasos; en cada esquina doblada, prestaba atención a si la mancha seguía allí, obediente, o si amenazaba con salir disparada (sí, pues una traición debía esperarse en cualquier momento, pues nuestra sombra no es, no puede ser, una sombra confiable). Era eso: unos metros de ventaja que ella obtuviera y probablemente jamás volvería a verla. Pero no, él tenía una sombra, ella lo siguió hasta casa y entonces no era eso lo que estaba pasando.
Pero ¿y si al apagar la luz ella saliera a escondidas, en la calada de la noche, y, amputada su extensión taciturna, D. no pudiera dormir porque estaba incompleto? Intentó dormir con la luz encendida y mantuvo el ojo pegado a su dócil secuaz, esperando en cualquier momento la insurrección. Después, intentó dormir de pie. Nada funcionaba. La sombra quedaba improrrogablemente exonerada.
En el segundo día, todo transcurrió normalmente, y todavía nadie notó nada. Al llegar a casa, en un impulso, decidió tomar una dosis de pastillas para dormir, olvidadas por una exnovia, en una cantidad suficiente para matar a un hombre, o tal vez incluso a dos o tres —y nada pasó. Nada, ni un bostezo. Sentado, con los frascos vacíos tirados alrededor, los músculos en tímidas contracciones y los ojos desorbitados, concluyó que para salir de su horrenda situación debería planear el próximo paso con más claridad, tal vez escudriñar la cuestión desde otro punto de vista para entender lo que se le estaba escapando y solo entonces decidir qué hacer a continuación.
Claro, lo primero que pensó fue que ya estuviera muerto. ¿Cuántas veces no había leído historias o visto películas en las que la protagonista o un personaje secundario estaban muertos y no se daban cuenta? No era como si alguien pudiera avisar, gentilmente, dándole palmaditas en el hombro: "Bueno, ¿sabes aquella vez que casi escapaste de un accidente? Pues en verdad no escapaste". Y sonriera, complaciente, como quien avisa al vecino que le entregaron la correspondencia en la dirección equivocada.
Al día siguiente, para cerciorarse de que no era un pedazo de espíritu vagando lejos de su cadáver, interpeló a todos los transeúntes que vinieran en su dirección, preguntándoles la hora, y conversó animadamente con todos los conocidos en el trabajo y en la calle. Algunos, al principio, extrañaron demasiado su comportamiento expansivo, pero, o hicieron la vista gorda, o hasta les pareció más simpático. Después, al terminar la jornada, entró en tiendas, preguntó el precio de cosas que no compraría, llegó a comprar artículos por los cuales no sentía el menor interés y que encima no le tenían la menor utilidad (un perro de peluche amarillo, dos postales y una almohada, por ejemplo), y paró taxis solo para ir a lugares que no conocía y luego regresar. Al fin y al cabo, parecía que él realmente seguía existiendo, y que toda la gente lo notaba.
Volviendo a casa, se estiró en el amplio sillón de la sala, se tronó la espalda con un estirón, aflojó los cordones de los zapatos y dejó que los pies respiraran, sitiado por libros desparramados, y entonces se puso a pensar, como un animal que se dispone a vigilar el nido. ¿Acaso toda una vida de pequeñas desesperaciones agudas, algo superficiales (lo que faltó comprar en el mercado, por qué no le fue tan bien en aquel examen, por qué había tratado tan mal a aquella mujer), podría haberse convertido en un vacío crónico, manteniéndolo en total ignorancia de lo que pasaba dentro o fuera de él? Pues, ¿qué, al fin, estaba faltando?
Bueno, tal vez pudiera ser un amor. ¿Cuántas veces no había oído que fulano había esperado toda la vida por un gran amor, que por fin había encontrado a su alma gemela, y que ahora tenía a alguien con quien compartir todo —de la cama a las preocupaciones? Tal vez, tal vez si pudiera encontrar eso, llegara a desfallecer, caer inconsciente para, al fin, despertar de nuevo. ¿Será que la médula de ese vacío se resumía al cadáver animado de otro vacío, de otra persona?
Pero D. buscó durante días, tanto en el laberinto de la ciudad como en el de la memoria, revolviendo las reminiscencias e iniciando conversaciones infructuosas, escrutando atentamente a todas las mujeres que había conocido y que conocía, sin, no obstante, descubrir que sintiera o jamás hubiera sentido algo significativo por siquiera una de ellas. Dondequiera que observara, no encontraba ardor suficiente para concluir que realmente deseara a alguien. Sí, era como si su corazón no latiera: si se acostaba en la cama y pensaba en dormir, hasta lo sentía pulsar vigorosamente, como si lo alertara o previniera de algo; pero, si miraba a una mujer, por más bella o atractiva que fuera, o escuchara la voz de alguna de ellas, entablara cualquier diálogo sobre cualquier tema, el corazón callaba, se revestía del silencio duro e impenetrable de una tumba a la luz invernal. Nada se movía dentro de él, nada. Tal vez ni siquiera un alma reptara allí.
Con esto, D. volvió a casa más cansado y cada vez más incapaz de dormir. Pasó las noches siguientes espiando por la ventana, el cielo lívido, el claro de luna oxidado, leyó libros, vio películas, maldijo a los vecinos y estudió tomos antiguos de libros empolvados; cocinó platos estrambóticos, los tiró a la basura, después llevó la basura a la boca maloliente de la calle, y repitió el proceso incontables veces. Para llenar el tiempo, comenzó a anotar pensamientos aleatorios, palabras atravesadas, abrazó toda y cualquier idea que aterrizara en la pista oscura de la noche, garabateaba en cualquier papel que encontrara, y cuando se dio cuenta estaba escribiendo en las paredes y en su propia piel, una constelación esquizofrénica de remiendos traumáticos e ideas escatológicas, capaz de despertar la curiosidad de cualquier psicoanalista que estuviera desocupado. Al principio, encontró todo aquello genial, pero, a partir de cierto punto, nada de lo que escribía tenía sentido. Llegaba a repetir tanto una palabra que se convertía en un puñado de símbolos desprovistos de significado, una carne sin nervios, a lo que pasó a encontrar todo aquello estúpidamente imbécil; aquellas palabras eran como títeres que su tedio balanceaba de acá para allá y de allá para acá sin tener, sin embargo, un guion que representaran. Se lavó durante horas en el baño, removiendo la tinta de su piel con una esponja. Al día siguiente, cubrió las paredes con la pintura más barata que encontró.
Después, pasó a tocar su cuerpo para asegurarse de que no se había deshecho, de que no era en verdad el producto de un sueño, una materia impalpable que vagaba por la inconsciencia de otro yo que se había dormido; palpó tanto el abdomen y pellizcó tanto la piel intentando despertar al otro, que quedó con dolores horribles y con hematomas variopintos por toda la cáscara del cuerpo; había los recientes, todavía de tonalidad púrpura, y después los verdosos y los amarillentos, lo que, le hizo gracia, daría lo mismo para un perro. Se tocaba tanto el cabello que muchos mechones se cayeron, y tantas veces se imaginó cayendo desde una gran altura para despertar sobresaltado que por poco no se tiró por la ventana de su apartamento, en trance.
Al cabo de pocas semanas, tenía en la cuenta ya varios años más. Los días en su empleo iban y venían como la frecuencia de estaciones mal sintonizadas en un automóvil antiguo, y él se sentía una especie patética de Robinson Crusoe con relación al mundo que lo rodeaba. ¿Hacía cuántos cientos de horas seguidas que estaba varado allí, perplejo y desesperado? Empezó a hablar solo, es decir, se hacía preguntas y trataba de responderlas de inmediato, y no pocas veces se embarcó en un debate acalorado consigo mismo que terminaba en risas histéricas y muchas veces en un silencio visceral, resonando en el seno de esta contemplación enfermiza de la propia locura. Pues, sí, sus dos partes, la que preguntaba y la que respondía, concordaban irrefutablemente en este punto: estaba al borde de la locura, y del modo como todo se encaminaba, no iba nada bien.
¿Será que había sido envenenado con alguna sustancia?, se preguntó en cierto momento. O que algo en el mecanismo del cerebro se hubiera roto, que hubiera contraído o desarrollado alguna patología bizarra, desconocida por la medicina, y que en ese caso tal vez nadie pudiera ayudarlo. ¿No sería ya hora de buscar un médico?
Se consultó entonces con un psiquiatra, un neurólogo, y llegó incluso a ir a un cirujano. El primero le aseguró que se trataba de un trastorno raro, en el cual él dormía, pero su cerebro interpretaba esto erróneamente y le daba la sensación de estar despierto, y que sus obsesiones y compulsiones probablemente tenían origen en algún trauma reciente, o bien algún recuerdo de la infancia que intentaba atravesar la membrana de la consciencia viniendo del subsuelo de la inconsciencia, del mismo modo que las hormigas cavan galerías en la tierra seca o una larva rompe la membrana translúcida de su huevo; el neurólogo quiso darle antiepilépticos, estaba seguro —subrayó esta palabra— de que el psiquiatra estaba equivocado y de que en verdad se trataba de un caso rarísimo y grave de epilepsia temporal, y que si se lo permitía, podría estudiar el caso de D. y publicarlo, dada su rareza (le juró que despertaría la atención de toda la comunidad científica, incluso); el cirujano, por su parte, quiso operarlo, probar una técnica nueva dedicada a casos graves de insomnio, una pequeña incisión aquí, justo en esta estructura, y señaló un punto nebuloso del enmarañado de masa cerebral expuesto en un cartel en la pared, el circo de giros y circunvoluciones, con la marca de un laboratorio en la esquina inferior, cuyo título era "Anatomía del Cerebro Humano", e hizo un corte imaginario con la uña impecablemente cortada al ras de la piel, y sonrió, como si no le importara D., sino solo aquel corte. D. salió de los tres consultorios decidido a no volver nunca; lo único que concluyó fue que ninguno de ellos lo había comprendido y, por lo tanto, ninguno de ellos sería capaz de ayudarlo.
Esa misma tarde, caminando sin rumbo por las venas de concreto de la ciudad, se preguntó: ¿qué había de malo en no poder dormir más? Desperdiciamos, al fin y al cabo, un tercio de nuestras vidas en stand-by, un aparato de última generación que se apaga automáticamente para al día siguiente repetir su calvario hasta que el modelo se estropee y sea reemplazado por uno más moderno. Y muchos de nosotros seguimos funcionando aunque ya seamos obsoletos y las piezas de repuesto estén lejos de ser una opción. Entonces, ¿no era una ventaja no dormir?
Bueno, hasta es posible que pensara así —hasta llegar a casa, cuando entonces se sentía compactado entre cuatro paredes y vislumbraba un monstruo gigante escurriéndose allá afuera, aquel mundo, aquel claustro, una babosa de millones de cuerpos dejando un rastro pegajoso de información, confinado en el apartamento, un pequeño útero en el cual él era gestado todas las noches y al cual era necesario retornar para sobrevivir; y entonces conversaba con su sombra y miraba los retratos y tal vez incluso por un instante estuviera con las personas de los retratos, pero entonces encendería la televisión y vería la ronda del mundo siempre girando, un carrusel como esos de parques de diversiones, siempre tocando la misma música, los caballos y los carruajes yendo y viniendo, yendo y viniendo, parecen caballos nuevos y carruajes nuevos pero son solo los mismos que dieron una vuelta, y encima de ellos siempre personas genéricas, alternándose, comprando sus boletos; y entonces entraba a la ducha y se sentaba con la cabeza apoyada en las rodillas, recordando tal vez el tiempo remoto en que estaba cubierto de líquido amniótico y no de aquel mundo viscoso de silencio y algarabía, y que no conocía ni crepúsculos ni orgasmos, y que no le importaba ni la política ni el almuerzo; entonces, entonces la certeza de que dormir era innecesario se destruía, porque todo lo que él quería era dormir y abstenerse de aquella locura por el mayor período de tiempo posible.
Pensó en suicidio, pero el suicidio ya no era una opción. En el fondo, él no podía morir, tenía la nítida impresión de que no. Tal vez le hubieran soldado un chip en la cabeza, o hubiera ingerido veneno, o estuviera aprisionado en una pesadilla, o bien su vida nunca hubiera sido real, o bien, o bien, era todo simplemente real y lo que le quitaba el sueño era la conciencia dolorosa de estar despierto; sí, cuando alguien tiene dolores lancinantes, no puede dormir, y su alma, en ese momento, experimentaba un dolor atroz, un dolor peor que todos los otros dolores, no palpable, para el cual no había un solo analgésico, era un dolor sin solución alguna que no fuera el tiempo y, aun con el tiempo, tal vez nunca amainara.
Pasaron uno, dos, tres meses. Ya no conseguía pensar con claridad. Las personas le dirigían la palabra, pero era como si no dijeran absolutamente nada; se veía rodeado de maniquíes como en una pesadilla, se sentía un pedazo de carne expuesto en una carnicería y oía a los clientes discutir su precio y su consistencia, y estaba seguro de que pronto alguien vendría y lo llevaría a casa envuelto en la estupidez y en el hueco de las horas, y entonces cualquier cosa podría ser hecha de él. Tal vez así, al fin, descansara.
Por primera vez en mucho tiempo, se vio llorando. Pero fue en ese momento, en este exacto momento, que algo fantástico le ocurrió: una iluminación, una catarsis, algo por el estilo, de esas que ocurren oportunamente al final de una película o de un cuento literario, y que raramente suelen ocurrir en la vida.
Pues, le pareció, al fin, que no había nada malo.
Sí, ¡era eso! Ese era el problema: no haber nada de malo consigo y con el mundo a su alrededor. El extrañamiento del extrañamiento, la despersonalización, la duda, todo eso estaba en falta; ¿cómo podía aceptar todo con naturalidad, tragar las comidas que tragaba, acostarse con las mujeres con que se acostaba y hacer los servicios que le ordenaban? Estuvo todo el tiempo buscando lo que le faltaba y, súbitamente, descubrió que lo que le faltaba era justamente que faltaran las cosas. Con los ojos anegados, bostezó demoradamente.
Sí, entonces parece que miró hacia atrás y no vio su sombra, probablemente porque él no era hombre, sino una sombra huyendo de su dueño, y también percibió que amaba a todas las mujeres que conocía y aun así las detestaba a todas, que los médicos tenían razón, había mucho de malo con él y necesitaba tratar todo sin excepción para salvaguardar la razón, que el color amarillo era lo que él quisiera que fuera, que era preciso matarse y que era preciso vivir, que no sirve de nada tocarnos porque todo es un sueño y todo es realidad, y que todos van a romper la cáscara translúcida de la realidad y reptar hacia la sociedad y van a ver las memorias marchitarse como un animal en cautiverio, el cautiverio de los días que se suceden, de las noches que se repiten, de las palabras que se mastican con hambre y avidez, pero que nunca son apetitosas al paladar o voluminosas lo bastante para saciar el alma.
Cuando los primeros rayos de luz del día se alzaron contra el teatro lila del crepúsculo, D. ya se había dormido.