Insônia — Librenza Garcia

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Insônia

A partir de determinado ponto, D. não pôde mais dormir. Sentia, claramente, que algum mecanismo dentro dele havia se partido e que isto agora impedia o funcionamento correto do todo.

Deitou-se, horas a fio revirando na cama, mas não conseguiu conciliar o sono. Arrastou-se para fora dessa concha insone, uma alma penada singrando em penumbra, passos ocos sarapintando o silêncio, bebeu leite, leu trechos de um livro, contou carneiros (incontáveis carneiros). Em geral, parecia-lhe que as pessoas deitavam em suas camas vislumbrando o que lhes reservava o dia seguinte e, de posse desses prospectos, ou o aguardassem ou o temessem; muitas vezes até se deixavam a remoer em farelos o dia recém-processado, mas, inevitavelmente, caíam no sono. Para D., entretanto, havia algo faltando: como se ainda lhe restasse realizar algo e, desse modo, não pudesse ainda adormecer, evitando o penoso exercício de despertar. Afinal, como seria possível dormir, se faltava algo, e se a seguir não viria nada? Pois foi esta a gênese de sua insônia.

Na primeira noite em que este distúrbio se deflagrou, conferindo à mente um estado febril de vigília, uma impenetrável concentração no mundo e em suas arestas metafísicas e ruídos homéricos, seus pensamentos fervilharam sem parar durante as primeiras horas; pensou em tudo que poderia estar faltando, e em como encontraria algo que ainda não sabia do que se tratava. Digamos um cachorro, que não enxerga as cores senão dentro do espectro do cinza, e cujo dono subitamente lhe diz: "vamos, me aponte um objeto amarelo". E agora, o que fará? Sim, era nesta exata situação que ele se encontrava.

Depois, entretanto, esses mesmos pensamentos deixaram de fervilhar e passaram, enfim, a fermentar. Não mais pensava no que lhe podia faltar como algo tangível; o que lhe faltava simplesmente não podia coexistir com a realidade – tratava-se de um ator condenado a interpretar a personagem errada, muito provavelmente na peça errada. Suas ideias, de posse dessa lógica sinistra, maquinando silogismos cada vez mais tortos, tornaram-se doentias, tétricas. Imaginou que o que lhe faltava jamais pudesse ser suprido; deram-lhe barbatanas quando na verdade ele desejava asas, deram-lhe uma vida quando na verdade ele apenas estaria satisfeito sendo pó, revolvido pelo vento. Perfilaram-se horrores em sua mente, palhaços maquiados de dúvidas, num ardor indagativo: devia morrer? Matar? Torturar? Não, nada disso; ele fora dotado de uma natureza pacata, e não conseguiria ferir ninguém – mesmo se tentasse; ademais, era covarde para desertar da própria vida, a ponto de submeter-se a uma constante privação de sono, mas sem por sequer um segundo cogitar a privação da existência.

Após essa primeira noite em claro, foi trabalhar normalmente no dia seguinte. Para seu espanto, ninguém reparou nada. Era apenas um espectro, uma ideia movendo-se entre outras ideias, camuflado, num mimetismo que ludibriava a própria realidade, um camaleão tão reles que sequer despertava o interesse dos predadores. D. era uma sombra entrecruzando-se com uma centena de outras sombras, e assim, tudo que se via era parte de um mesmo breu, sem distinção ou relevância entre as que o formavam (talvez todos se sentissem camaleões esquecidos). Foi assim que percebeu que uma sombra não era, no final das contas, diferente da outra.

Mas isso lhe trouxe problemas, pois estava inclinado a ideias doentias e ruminações – talvez um sintoma inicial daquela vida sem repouso. Conjeturou um cenário fantástico na câmara escura do crânio: lera certa feita um conto de Hans Christian Andersen sobre um homem que perdia a sua sombra. Desconfiado – talvez fosse por isso que não dormisse – observou atenta e diligentemente durante o caminho de casa o perfil longilíneo e deformado daquele tentáculo desbotado, seguindo-o como um fanático, marchando contra seus passos; a cada esquina dobrada, prestava atenção se a mancha ainda estava ali, obediente, ou se ameaçava bater em disparada (sim, pois uma traição devia ser esperada a qualquer momento, pois a nossa sombra não é, não pode ser, uma sombra confiável). Era isso: alguns metros que ela obtivesse de vantagem e provavelmente jamais tornaria a vê-la. Mas, não, ele tinha uma sombra, ela o seguiu até em casa e então não era isso que estava acontecendo.

Mas e se ao apagar a luz ela saísse às escondidas, na calada da noite, e, amputada sua extensão taciturna, D. não pudesse dormir porque estava incompleto? Experimentou dormir com a luz acesa e manteve o olho grudado em sua dócil assecla, esperando a qualquer momento a insurreição. Depois, tentou dormir em pé. Nada funcionava. A sombra estava impreterivelmente inocentada.

No segundo dia, tudo transcorreu normalmente, e ainda ninguém percebeu coisa alguma. Ao chegar em casa, num impulso, decidiu tomar uma porção de pílulas soníferas, esquecidas por uma ex-namorada, numa quantidade suficiente para matar um homem, ou talvez até mesmo dois ou três – e nada aconteceu. Nada, nem um bocejo. Sentado, com os frascos vazios atirados em derredor, os músculos em tímidas contrações e os olhos esgazeados, concluiu que para sair de sua horrenda situação deveria planejar o próximo passo com mais clareza, talvez esmiuçar a questão através de outro ponto de vista para entender o que estava lhe escapando e só então decidir o que fazer a seguir.

Claro, a primeira coisa que pensou foi que já estivesse morto. Quantas vezes não lera histórias ou vira filmes nos quais a protagonista ou uma personagem secundária estavam mortas e não se davam conta disso? Não era como se alguém pudesse avisar, gentilmente, dando tapinhas no seu ombro: "Bem, sabe aquela vez que você quase escapou de um acidente? Pois na verdade você não escapou". E sorrisse, complacente, como quem avisa ao vizinho que lhe entregaram a correspondência no endereço errado.

No dia seguinte, para certificar-se de que não era um pedaço de espírito zanzando longe de seu cadáver, interpelou todos os transeuntes que viessem em sua direção, perguntando-lhes as horas, e conversou animadamente com todos os conhecidos no trabalho e na rua. Alguns, a princípio, estranharam demasiado seu comportamento expansivo, mas, ou fizeram vista grossa, ou até calharam de achá-lo mais simpático. Depois, ao terminar o expediente, entrou em lojas, perguntou preço de coisas que não compraria, chegou a comprar artigos pelos quais não nutria o menor interesse e que ainda por cima não lhe tinham a menor utilidade (um cachorro de pelúcia amarelo, dois cartões postais e um travesseiro, por exemplo), e parou táxis somente para ir a lugares que não conhecia e então retornar. Ao fim e ao cabo, parecia que ele realmente seguia a existir, e que toda a gente o notava.

Voltando para casa, estirou-se na ampla poltrona da sala, estalou a espinha com um espreguiço, soltou o laço dos sapatos e deixou os pés respirarem, sitiado por livros esparramados, e daí pôs-se a pensar, como um animal que se coloca a vigiar o ninho. Toda uma vida de pequenos desesperos agudos, um tanto superficiais (o que faltou comprar no mercado, por que não foi tão bem naquele exame, por que tratara tão mal aquela mulher) poderia acaso ter se convertido em um vazio crônico, e conservado ele em uma total ignorância do que se passava dentro ou fora dele? Pois o que, afinal, estava faltando?

Bem, talvez pudesse ser um amor. Quantas vezes não ouvira que fulano esperara a vida inteira por um grande amor, que enfim encontrara a alma gêmea, e que agora tinha alguém com quem dividir tudo – do leito às preocupações? Talvez, talvez se pudesse encontrar isso, viesse a desfalecer, cair desacordado para, enfim, acordar novamente. Será que a medula desse vazio resumia-se ao cadáver animado de outro vazio, de outra pessoa?

Mas D. procurou por dias a fio, tanto no dédalo da cidade quanto no da memória, revirando as reminiscências e iniciando conversações infrutíferas, a perscrutar atentamente todas as mulheres que conhecera e que conhecia, sem, no entanto, descobrir que sentisse ou jamais houvesse sentido algo significativo por sequer uma delas. Onde quer que observasse, não encontrava ardor suficiente para concluir que realmente desejasse alguém. Sim, era como se seu coração não batesse: se deitasse na cama e pensasse em dormir, até o sentia pulsar vigorosamente, como se o alertasse ou prevenisse de alguma coisa; mas, se olhasse para uma mulher, por mais bela ou atraente que ela fosse, ou ouvisse a voz de alguma delas, entabulasse qualquer diálogo sobre qualquer tópico, o coração silenciava, revestia-se do silêncio duro e impenetrável de um jazigo à luz hibernal. Nada se movia dentro dele, nada. Talvez nem mesmo uma alma ali rastejasse.

Com isso, D. voltou para casa mais cansado e cada vez mais incapaz de dormir. Passou as noites seguintes espiando pela janela, o céu lúrido, o luar enferrujado, leu livros, assistiu a filmes, amaldiçoou vizinhos e estudou tomos antigos de livros empoeirados; cozinhou pratos mirabolantes, jogou-os no lixo, depois levou o lixo para a boca malcheirosa da rua, e repetiu o processo incontáveis vezes. Para preencher o tempo, começou a anotar pensamentos aleatórios, palavras atravessadas, abraçou toda e qualquer ideia que aterrissasse na pista escura da noite, rabiscava em qualquer papel que encontrasse, e quando se deu por conta estava mesmo escrevendo nas paredes e na própria pele, uma constelação esquizofrênica de remendos traumáticos e ideias escatológicas, de despertar a curiosidade de qualquer psicanalista que calhasse de estar desocupado. No princípio, achou tudo aquilo genial, mas, a partir de certo ponto, nada mais do que escrevia fazia sentido. Chegava a repetir tanto uma palavra que ela se convertia em um punhado de símbolos desprovidos de significado, uma carne sem nervos, ao que passou a achar tudo aquilo estupidamente imbecil; aquelas palavras eram como fantoches que o seu tédio balançava de lá para cá e de cá para lá sem ter, no entanto, um roteiro que representassem. Lavou-se por horas no banheiro, removendo a tinta de sua pele com uma esponja. No dia seguinte, cobriu as paredes com a tinta mais barata que encontrou.

Depois, passou a tocar o seu corpo para ter certeza de que ele não havia se desfeito, que ele não era na verdade o produto de um sonho, uma matéria impalpável que vagava pela inconsciência de outro eu que adormecera; palpou tanto o abdome e beliscou tanto a pele tentando acordar o outro, que ficou com dores horríveis e com hematomas variegados por toda a casca do corpo; havia os recentes, ainda de tonalidade púrpura, e depois os esverdeados e os amarelados, o que, achou graça, daria no mesmo para um cachorro. Mexia tanto no cabelo que muitos fios caíram, e tantas vezes se imaginou despencando de uma grande altura para acordar de sobressalto que por pouco não se atirou da janela de seu apartamento, em transe.

Ao fim de poucas semanas, tinha na conta já mais alguns anos. Os dias no seu emprego iam e vinham como a frequência de estações mal sintonizadas em um automóvel antigo, e ele sentia-se uma espécie patética de Robinson Crusoé em relação ao mundo que o cercava. Há quantas centenas de horas seguidas já estava ilhado ali, perplexo e desesperado? Passou a falar sozinho, isto é, fazia-se perguntas e tratava de imediatamente respondê-las, e não raras vezes engajou-se num embate acalorado consigo mesmo que terminava em risos histéricos e muitas vezes em um silêncio visceral, a ecoar no bojo desta contemplação doentia da própria insanidade. Pois, sim, suas duas partes, a que perguntava e a que respondia, concordavam irrefutavelmente com este ponto: estava à beira da loucura, e do modo como tudo se encaminhava, não ia nada bem.

Será que havia sido envenenado com alguma substância, cogitou a certa altura. Ou que algo no mecanismo do cérebro houvesse quebrado, que contraíra ou desabrochara alguma patologia bizarra, desconhecida pela medicina, e que nesse caso talvez ninguém pudesse ajudá-lo. Será que não era chegada a hora de procurar um médico?

Consultou-se então com um psiquiatra, um neurologista, e chegou mesmo a ir a um cirurgião. O primeiro garantiu-lhe de que se tratava de um distúrbio raro, no qual ele dormia, mas seu cérebro interpretava isso erroneamente e lhe dava a sensação de estar acordado, e que suas obsessões e compulsões provavelmente tinham origem em algum trauma recente, ou então alguma lembrança da infância que tentava atravessar a membrana da consciência vinda do subsolo da inconsciência, do mesmo modo que as formigas cavam galerias na terra seca ou uma larva rompe a membrana translúcida de seu ovo; o neurologista quis dar-lhe antiepilépticos, tinha certeza – frisou esta palavra – de que o psiquiatra estava equivocado e que na verdade tratava-se de um caso raríssimo e grave de epilepsia temporal, e que se o permitisse, poderia estudar o caso de D. e publicá-lo, dada sua raridade (jurou-lhe que despertaria a atenção de toda a comunidade científica, inclusive); o cirurgião, por sua vez, quis operá-lo, testar uma técnica nova dedicada a casos graves de insônia, uma pequena incisão aqui, bem nessa estrutura, e apontou para um ponto nebuloso do emaranhado de massa cerebral exposto em um cartaz na parede, o circo de giros e circunvoluções, com a marca de um laboratório no canto inferior, cujo título era "Anatomia do Cérebro Humano", e fez um talho imaginário com a unha impecavelmente cortada rente à pele, e sorriu, como se não se importasse com D., mas apenas com aquele corte. D. saiu dos três consultórios decidido a nunca mais voltar; a única coisa que concluiu foi que nenhum deles o compreendera e, portanto, nenhum deles seria capaz de ajudá-lo.

Na mesma tarde, caminhando a esmo pelas veias concretadas da cidade, questionou-se: o que havia de errado em não poder mais dormir? Desperdiçamos, afinal, um terço de nossas vidas em stand-by, um aparelho de última geração que se desliga automaticamente para no dia seguinte repetir seu calvário até que o modelo estrague e seja substituído por um mais moderno. E muitos de nós seguimos funcionando mesmo quando já somos obsoletos e peças de reposição estão longe de ser uma opção. Então, não era uma vantagem não dormir?

Bem, até é possível que pensasse assim – até chegar em casa, quando então sentia-se compactado entre quatro paredes e vislumbrava um monstro gigante esgueirando-se lá fora, aquele mundo, aquele claustro, uma lesma de milhões de corpos deixando um rastro pegajoso de informação, confinado no apartamento, um pequeno útero no qual ele era gestado todas as noites e para o qual era necessário retornar para sobreviver; e então conversava com sua sombra e olhava os retratos e talvez até mesmo por um instante estivesse com as pessoas dos retratos, mas então ligaria a televisão e veria a ciranda do mundo sempre girando, um carrossel como esses de parques de diversões, sempre tocando a mesma música, os cavalos e as carruagens indo e voltando, indo e voltando, parecem cavalos novos e carruagens novas mas são apenas os mesmos que deram uma volta, e em cima deles sempre pessoas genéricas, alternando-se, comprando seus bilhetes; e então entrava embaixo do chuveiro e sentava com a cabeça apoiada nos joelhos, lembrando-se talvez do tempo remoto em que era coberto de líquido amniótico e não daquele mundo viscoso de silêncio e algazarra, e que não conhecia nem lusco-fusco nem orgasmos, e que não se importava nem com a política nem com o almoço; então, então a certeza de que dormir era desnecessário se destruía, porque tudo que ele gostaria era dormir e se abster daquela loucura pelo maior período de tempo possível.

Pensou em suicídio, mas o suicídio já não era uma opção. No fundo, ele não podia morrer, tinha a nítida impressão de que não. Talvez lhe houvessem soldado um chip na cabeça, ou houvesse ingerido veneno, ou estivesse aprisionado em um pesadelo, ou então sua vida nunca tivesse sido real, ou então, ou então, era tudo apenas real e o que lhe tirava o sono era a consciência dolorosa de estar acordado; sim, quando alguém tem dores lancinantes, não consegue dormir, e a alma dele, nesse momento, experimentava uma dor excruciante, uma dor pior que todas as outras dores, não palpável, para a qual não havia um analgésico sequer, era uma dor sem solução alguma que não o tempo e, mesmo com o tempo, talvez nunca amainasse.

Passaram-se um, dois, três meses. Já não conseguia pensar com clareza. As pessoas dirigiam-lhe a palavra, mas era como se não falassem absolutamente nada; via-se cercado de manequins como em um pesadelo, sentia-se um pedaço de carne exposto em um açougue e ouvia os clientes discutirem seu preço e sua consistência, e estava certo de que em breve alguém viria e o levaria para casa embalado na estupidez e no oco das horas, e então qualquer coisa poderia ser feita dele. Talvez assim, enfim, descansasse.

Pela primeira vez em muito tempo, viu-se chorando. Mas foi nesse momento, neste exato momento, que algo fantástico lhe aconteceu: uma iluminação, uma catarse, qualquer coisa do gênero, dessas que acontecem oportunamente no final de um filme ou de um conto literário, e que raramente costumam ocorrer na vida.

Pois, pareceu-lhe, enfim, que não havia nada errado.

Sim, era isso! Esse era o problema: não haver nada de errado consigo e com o mundo à sua volta. O estranhamento do estranhamento, a despersonificação, a dúvida, tudo isso estava em falta; como ele podia aceitar tudo com naturalidade, engolir as refeições que engolia, deitar-se com as mulheres com que se deitava e fazer os serviços que lhe ordenavam? Esteve o tempo todo procurando o que lhe faltava e, subitamente, descobriu que o que lhe faltava era justamente faltarem as coisas. Com os olhos mareados, bocejou demoradamente.

Sim, então parece que olhou para trás e não viu a sua sombra, provavelmente porque ele não era homem, mas sim uma sombra fugindo de seu dono, e também percebeu que amava todas as mulheres que conhecia e ainda as detestava todas, que os médicos tinham razão, havia muito de errado com ele e ele precisava tratar tudo sem exceção para salvaguardar a razão, que a cor amarela era o que ele quisesse que ela fosse, que era preciso matar-se e que era preciso viver, que não adianta tocarmo-nos porque tudo é um sonho e tudo é realidade, e que todos vão romper a casca translúcida da realidade e rastejar para a sociedade e vão ver as memórias definharem como um animal em cativeiro, o cativeiro dos dias que se sucedem, das noites que se repetem, das palavras que se mastigam com fome e avidez, mas que nunca são apetitosas ao paladar ou volumosas o bastante para saciar a alma.

Quando as primeiras hastes de luz do dia se ergueram contra o teatro lilás do crepúsculo, D. já havia adormecido.